18.10.16

# 9 Ana Isabel Arroja, a Arrojinha



Hoje conversamos com Ana Isabel Arroja, tem 37 anos, 2 filhos – a Leonor com 10 anos e o Salvador com apenas 13 meses, é Mãe, Mulher, Comunicadora, Animadora de Rádio, DJ, Blogger e mais, se houver.

5’Tastic Moms: Quem é a Ana Isabel Arroja?
Ana Isabel Arroja: Sou eu, a Arrojinha, muito gosto! (risos) Respiro música e rádio, sou louca por animais e não vivo sem a minha família e os meus amigos que são quem, no fundo, me atura. Acho que sou uma pessoa simples mas, ao mesmo tempo, complicada. Toda eu sou uma contradição.

5’Tastic Moms: O que é para si ser mãe?
AIA: Era um sonho desde pequena. Sempre quis ser Mãe. Sempre disse que podia acontecer-me muita coisa na vida mas se não pudesse ter filhos biológicos seria muito infeliz. Sei que podem estar a julgar-me nesta altura porque há sempre a questão da adoção, sempre ouvi dizer que se ama da mesma forma mas era uma cena minha. Até podia ter 5 filhos adotados mas gostava de ter, pelo menos, 1 biológico. Para mim ser Mãe é mimar, educar, acompanhar, estar presente o mais possível e brincar, brincar muito e gargalhar até não poder mais. É incluir os filhos na nossa vida e rotina enquanto casal, não o contrário.


5’Tastic Moms: A Ana tem 2 filhos lindos, as gravidezes foram planeadas? O que sentiu quando descobriu que estava grávida?
AIA: Super planeadas, ambas. Da Nô foi muito rápido. 1 ou 2 meses depois de começarmos a tentar engravidei, nem tivemos tempo para treinar muito (risos). Do Salvador já foi mais complicado. Começámos a tentar e não acontecia nada. Tentámos durante 1 ano e meio e, quando estávamos prestes a ir ao médico fazer exames para entender o que se passava, engravidei mas abortei 1 semana depois de descobrir que estava grávida. Foi um choque muito grande. Não entendia, enquanto mulher, o que podia estar a falhar. Sempre fui saudável, o Gil também, tinha sido tão fácil da 1ª vez e agora não. Foi um turbilhão de sentimentos, uma frustração, uma dor muito grande mas superámos tudo com muito apoio familiar, voltámos a tentar e, apesar de ter demorado quase 1 ano, conseguimos. Desistir estava fora de hipótese. Ponderámos adotar mas fomos brindados com o Baby S.

5’Tastic Moms: Alteraste a tua maneira de agir, enquanto mãe, do primeiro para o segundo filho? Se sim, em quê?
AIA: Sou muito descontraída por natureza, talvez até demais e 9 anos (a Nô tem 10 e o Salva 1) fazem muita diferença, esquecemos muita coisa. Não é bem como andar de bicicleta (dizem que sim, eu acho que não) mas o lado positivo é que encaramos tudo de uma forma ainda mais descontraída, mais despreocupada. Agora também tenho a Nô que nos ajuda imenso e participa em tudo. Não somos 2 Pais com 2 filhos pequenos, somos sim 2 Pais e 1 mana mais velha com um bebé. Somos 3 a cuidar de 1. No entanto, há uma coisa que noto que acontece, não sei se é fruto da idade mas tenho aproveitado muito mais o Salvador. Sempre fui muito de agarrar, de abraçar, de beijar, de snifar a Nô (Há lá coisa melhor do que cheirar os nossos filhos??) e agora com o Salva sou tudo isso a triplicar! Se puder não o largo nunca, apetece-me estar sempre com ele, namoro ainda mais com ele mas, como já tinha dito, acho que isso tem a ver com a maturidade. Tinha 27 anos quando fui Mãe pela 1ª vez, agora estou a caminhar para os 40. (Credo! Vou só ali deprimir-me e já volto)

5’Tastic Moms: Quais são os seus maiores receios/medos como mãe? E como mulher?
AIA: Tenho uma pedra no sapato sempre: a morte. Tenho pavor de morrer e eles ficarem sem mim, tenho medo que lhes aconteça alguma coisa a eles. Tento relativizar mas vivo aterrorizada com isso. Esse é o meu maior medo. O maior susto que apanhei foi quando ele esteve internado com uma infeção urinária, nem 1 mês tinha ainda. Pensei que me dava uma coisinha má. Depois, como é óbvio, tenho muito medo que não sejam boas pessoas, íntegros porque a verdade é que os educamos mas a partir de uma certa altura eles seguem o seu próprio caminho e tenho medo que se desviem daquilo que acho que é o caminho certo. Tenho medo que não sejam felizes. Façam o que fizerem na vida têm de ser felizes, é a alavanca para tudo. E educados. Pessoas mal educadas tiram-me do sério.


5’Tastic Moms: Que tipo de mãe é a Ana?
AIA: É tão difícil responder a isso, já me perguntaram várias vezes e não sei bem o que responder. Não é uma questão de tentar ser modesta é porque não sei mesmo. Eu sou eu, sou a Arrojinha independentemente de ser Mãe ou não. Sempre fui assim, sempre fui a mesma com ou sem a exposição pública que o meu trabalho implica. Mantenho os meus amigos de infância e adolescência, continuam a ser os meus melhores amigos, por exemplo. Sei que há quem defenda que Mãe não é, nem tem de ser, a melhor amiga dos filhos. Lamento mas não concordo nada com isso. Também não faço questão de ser “A” melhor amiga da minha filha (falo mais nela porque o Salva ainda é bebé e o tipo de relação que tenho com a Nô ainda não tenho com ele) mas faço questão, isso sim, de ser amiga para além de Mãe porque eu sou assim, é a minha forma de estar na vida e não há ninguém que a ame mais do que eu e o Pai. O melhor elogio que me podem dar, enquanto Mãe, é “Vocês parecem duas irmãs que se dão muito bem!” e eu adoro isso, ouvimos isso constantemente. Acho que é possível educar e ser amiga ao mesmo tempo. Também digo que não, também ralho (pouco, é verdade), ela também fica zangada comigo de vez em quando porque não a deixo fazer alguma coisa mas somos muito amigas. Às vezes olho para ela e sim, sinto uma ligação muito particular com ela, é a minha grande companheira, divertimo-nos juntas como amigas o que não anula o meu papel de Mãe. Quando está doente lá está a Mãe para apoiar e dar miminhos, quando tem dúvidas nos trabalhos de casa lá está a Mãe para ajudar, quando tem fome lá está a Mãe para fazer a comidinha de que ela gosta. Acho que é preciso, acima de tudo, uma boa dose de bom senso. Não ser demasiado rígida nem demasiado permissiva. Desculpem mas não consigo definir a nossa relação enquanto Mãe e Filha, é demasiado nossa.

Em relação aos dois, deixo-os cair para aprenderem a levantar-se, deixo-os brincar, experimentar, sujar-se e expressarem-se sem terem medos ou vergonhas. Isso é tão importante quando estamos a formar “pessoínhas” que serão os nossos adultos no futuro. Ajudá-los e incentivá-los a terem confiança neles próprios.

5’Tastic Moms: Quais são as suas rotinas diárias enquanto mãe e mulher?
AIA: Neste momento a minha vida está um caos. Mesmo. Tratar dos miúdos, dos 2 cães, da casa e do marido (risos). A sério, há uns meses achei que dava em doida. Pela primeira vez na vida tive de contratar uma empregada para me ajudar 1 vez por semana com a limpeza da casa e é uma grande ajuda, realmente. Sempre achei que não precisava de mais ninguém mas nunca mais me esqueço de uma frase que a pediatra dos meus filhos me disse, tinha o Salvador apenas 3 semanas: “Ana, meta na cabeça que não é uma Super Mulher. Não há Super Mulheres.” Aquilo bateu forte cá dentro. A partir daí deixei de exigir tanto de mim. Não sou pessoa de me maquilhar, de me arranjar demasiado nem ter rotinas de beleza. Óbvio que gosto de hidratar a pele, passar um rímel nas pestanas e usar um anti-olheiras. Isso sim, imprescindível! Tem de ser. Não saio de casa sem isso. Desodorizante e perfume. De resto, é o mais confortável possível, cabelo apanhado e ténis. Gloss, que é uma coisa que adoooooro nos lábios, deixei de usar desde que fui Mãe. É raro usar. Preciso de beijar os meus filhos constantemente e não quero que andem todos pegajosos e cheios de glitter por todo o lado (risos).

5’Tastic Moms: A Ana é um Comunicadora, Animadora de Rádio, DJ, Blogger e mais… Como consegue conciliar todos os seus projetos, se o dia só tem 24horas, e ainda ser mãe?
AIA: O nosso dia começa sempre às 7.30h, deixar a Nô na escola às 8.30h, a seguir o Salva nos avós e depois ir trabalhar, tendo em conta que moramos na Margem sul e trabalhamos em Lisboa durante a semana e percorremos o País de Norte a Sul ao fim-de-semana. A Nô pratica ginástica acrobática e patinagem artística, tem explicação de matemática, eu e o Gil temos todos os nossos trabalhos e o que nos vale é o apoio familiar. Tentamos sempre ser nós a acompanhar a Nô nas atividades extra mas nem sempre dá e os meus Pais têm sido (sempre foram) fundamentais. Os Avós foram uma grande invenção! São eles o nosso principal apoio com toda esta logística que é complicada, não é pêra doce. Neste momento faço emissão na Comercial das 22h à 01h, por isso o meu dia nunca acaba antes das 2h, 3h da manhã. Ao fim-de-semana temos tido, felizmente, muito trabalho como DJS e, quando não são discotecas, a Nô já pode acompanhar-nos, o que é muito fixe, ela adora. Só não anda connosco quando não pode mesmo por ser tão pequena. Temos muito pouco livre mas é um investimento a longo prazo e adoramos o que fazemos. Acabo é sempre por deixar o blog e o canal de youtube para 2º plano porque, não faço disso um negócio, são dois hobbies que me dão prazer mas para os quais não tenho quase tempo nenhum, a verdade é essa. Prefiro deixar a casa desarrumada, loiça por lavar e coisas por fazer para poder adormecê-los e estar mais um bocadinho com eles porque isto passa tudo demasiado rápido. Como costumo dizer #quisestepinaragoraaguenta

5’Tastic Moms: Se pudesse deixar um conselho que quem foi mãe há pouco tempo, qual seria?
AIA: Relaxem e não levem a peito as críticas de quem está à vossa volta nem dêem tanta importância às opiniões de quem acha que sabe sempre mais do que vocês. As Mães somos nós, porra! Não é? Chill out and enjoy the moment. Relativizem tudo. Vocês é que são as Mães, os filhos são vossos, o resto interessa pouco. Não vivam em função da opinião e experiência dos outros. Cada um é como cada qual, que é uma expressão que adoro.

5’Tastic Moms: Qual é o papel do Francisco na educação da Leonor e do Salvador?
AIA: Fundamental! Não falei muito nele porque a entrevista é sobre as Mães, certo? Mas a verdade é que não vivo sem ele nem conseguia fazer metade do que faço sem ele. Temos uma forma muito particular de viver. Horários tardios e desfasados, refeições fora de horas, muito poucas regras e uma dose gigante de amor, compreensão e bom humor. Encaramos tudo isto sempre com muito humor porque é assim que tem de ser. É o meu companheiro de uma vida, o meu parceiro, o Pai dos meus filhos. E tem uma paciência de santo, é o meu equilíbrio. Eu sou muito enérgica, pêlo na venta, destemida, distraída enquanto que ele é super calmo e observador, muito mais racional. Não me imaginava a viver ou a ter filhos com outra pessoa. Não sabemos o dia de amanhã mas sinto que o Universo nos juntou. A minha Mãe sempre disse que só se estragava uma casa, lol!!!! A verdade é que estamos juntos há 18 anos e, até agora, tem corrido tudo bem.

5’Tastic Moms: Que situação já a levou a dizer ou a pensar “Porque o filho é meu, porra!”?
AIA: Tantas... mas aquela mania de dizerem “Ai coitadinho do menino que tem os pezinhos frios!” Epah não! Os bebés têm sempre as extremidades do corpo mais frias, no caso dos meus filhos, quando os pés ou as mãos estão quentinhos é porque estão com sono. Não gosto de ver as crianças todas enchouriçadas, cheias de roupa, meias, collants, uma camisola interior, mais outra por cima e um casaco e mais sei lá o quê. O meus filhos sempre andaram descalços o mais possível, até porque segundo a pediatra deles, os pés têm sim de respirar e os bebés têm de ganhar defesas. Se estiverem sempre todos tapados, num dia em que estejam um bocadinho mais à vontade têm mais probabilidade de ficarem doentes. Isso é o que me tira mais do sério, a preocupação constante em tapar e proteger os miúdos. Menos. Porque os filhos são meus, porra!! (risos) Adoro esta expressão, vou passar a usar, eheheheh!!!

5’Tastic Moms: Os meus filhos são… (termine a frase)
AIA: Os meus filhos são... felizes e doidos. Como os Pais.

Obrigada Arrojinha pelo seu testemunho.

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